Áreas de intervenção: Pediátrica - Cuidados Gerais

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Vestuário

          
                                                                                                  
Uma vez que muitas infecções respiratórias estão relacionadas com as diferenças de temperatura, vamos abordar algumas medidas que podemos por em prática.

Temperatura do dia
É importante adequarmos a roupa das crianças à temperatura ambiente. Se estamos perante um dia frio devemos agasalhar a criança convenientemente, de forma a que fique cómoda para se conseguir movimentar.
Podemos sempre recorrer aos acessórios: barrete (uma vez que a cabeça tem uma grande área e arrefece com grande facilidade), cachecóis, luvas e umas meias quentes.
Para além dos acessórios, devem vestir uma camisola interior, uma exterior, um casaco leve e um agasalho, que pode ser impermeável para proteger da chuva, ou só agasalho caso não chova.
Usar uma calça ou saia e meia quente para manter a perna aquecida.
Quando a criança chega ao infantário ou ao carro, onde a temperatura já é mais elevada, deve retirar a roupa que tem em excesso e manter a camisola interior e a exterior, caso seja necessário, também o agasalho mais leve.
Retirem-se as luvas, barretes, impermeáveis e cachecóis.
Outro aspecto importante a ter em atenção é o calçado da criança…
Para andar na rua colocar um sapato ou bota quente mas, no interior da casa, a criança pode transpirar imenso com esse calçado. É necessário adequar o mesmo também a essa situação.
Se a criança anda na escola primária, e vai para o recreio onde joga à bola ou anda a correr e a brincar ao esconde-esconde, a quantidade de roupa deve ser reduzida e, se eventualmente ficar transpirado, deve trocar de camisolas (leve sempre uma muda de roupa na mochila para trocar no final do intervalo).
Esta situação também se adequa ao infantário, não só no recreio, como também quando a criança vai para o refeitório (normalmente o refeitório é um espaço mais amplo e menos aquecido).
Resumo
  •        Adaptar a quantidade de roupa à temperatura ambiente.
  •        Levar uma muda de roupa para a escola ou infantário.
  •        O calçado deve ser trocado, em função do espaço em que a criança permanece – interior/exterior.
  •    No caso dos miúdos que jogam á bola ter também umas sapatilhas e meias na mochila.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Alergias

O seu filho está muitas vezes por ano constipado?
Já não sabe como resolver essa situação?

O pó é muitas vezes o causador dessas infecções respiratórias. Os ácaros do pó são muito microscópicos, encontram-se em todas as casas, mesmo nas mais cuidadosamente limpas.
Desenvolvem-se com temperaturas mornas, principalmente nos colchões, almofadas e cobertores, bem como nas alcatifas.
Alimentam-se de pelos, cabelos, escamas de pele, bolores e outros produtos orgânicos.
O local onde o seu filho passa a maior parte do tempo é no quarto de dormir.
Os ácaros incomodam ao longo de todo o ano, mas nos meses húmidos ainda se tornam mais intensos.

  • È importante abrir a janela do quarto para o arejar diariamente, pelo menos meia hora por dia.
  • Retire do quarto tudo o que lhe possa causar alergias, por exemplo cortinados, tapetes e peluches. Substitua os cobertores por um edredão.
  • No caso de ter cobertores opte por cobertores de poliéster, bem como lençóis também em poliéster.
  • As almofadas devem ser de espuma ou outro material sintético lavável.
  •  Prefira colchões de espuma ou borracha sintética ou envolva o que tem casa numa capa de plástico ou fibra impermeável.
  •  Evite usar lençóis de flanela, bem como cobertores felpudos, caso os tenha envolva-os numa capa que seja facilmente lavável; e no caso do edredão que seja de um material sintético em vez de ser de penas.
  • Deve lavar não só os lençóis uma vez por semana, como também a almofada. Para isso é conveniente ter duas. Arejar as roupas da cama.                                                                                                                                                                                                 Aspire o quarto em vez de varrer, pois o pó tem tendência a depositar-se em outro lugar, mas manter-se no quarto.Aspire também o colchão e o estrado.
  • Para limpar o pó use um pano húmido, de forma que o pó seja levado pelo mesmo.
  • Quando lavar a roupa da cama use um programa de água quente, com temperatura superior a 60ºC, pois só com esta temperatura é que os ácaros morrem.


Após todas estas medidas, talvez já diminua o risco e melhore o funcionamento do aparelho respiratório do seu filho.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Mochilas escolares


Com o regresso do ano escolar, a decisão da mochila é uma realidade.

1.    O que deve ter em atenção quando escolhe a mochila
2.    Qual o peso que deve conter a mochila
3.    Como ensinar o seu filho a prepara-la


1 - Quando os pais e a criança fazem a selecção da compra, vários aspectos devem ter em atenção:

·        O tipo de percurso que a criança faz, de casa até à escola Se este é rectilíneo, sem muitas escadas e com passeios, a mochila de rodinhas pode ser uma óptima opção.
Se o percurso é irregular, com muitas escadas, sem passeios e se eventualmente ainda tem que utilizar transportes públicos, a mochila de colocar nas costas talvez seja a ideal.

·        Os adereços da mochila, quantos mais adereços tiver, mais pesada será a mochila
·        Proporcional às costas da criança, a parte superior da mochila deve estar ao nível do ombro e a inferior deve ficar apoiada na região lombar e nunca descer abaixo desta zona do corpo.
·        As duas alças da mochila devem ser largas e acolchoadas, para distribuir e uniformizar a pressão do peso nos ombros.
·        Ter cintos no interior, para permitir prender os livros e os cadernos, para que quando estes se movimentam não provoquem um desequilíbrio na criança.
·        Dimensão da pega, no caso das mochilas de rodinhas, esta deve ser de acordo com o tamanho da criança. A criança quando transporta a mochila deve fazê-lo com o braço esticado.

2- O uso das mochilas pesadas, por si só não desenvolve desvios da coluna, como se possa imaginar. O que o peso pode acarretar são transtornos e dor, queixas provocadas pelo esforço físico exagerado.

·        Até 10% do peso da criança ou adolescente, segundo orientações da OMS, é o peso aconselhável para a mochila escolar. Se a criança pesa 30Kg, o pesa da mochila não deve ultrapassar os 3 kg
·        Analisar a quantidade de livros e cadernos que a criança transporta e a sua necessidade, tendo como auxilio o horário escolar e as disciplinas que irá ter no dia seguinte.
·        Os avós podem aqui ter um papel muito importante, sempre que a disponibilidade o permitir, na avaliação do peso da mochila dos seus netos.

3- A preparação da mochila, é um aspecto que os pais devem ter em atenção, e ajudar a criança a perceber como prepará-la


·        É importante que seja transportado apenas o material necessário àquele dia. Os pais podem colaborar no hábito da criança, supervisionar o horário e colocar o material de acordo só com as necessidades daquele dia.
·        Também na compra dos cadernos podem optar por cadernos pequenos, em vez de cadernos grandes, para diminuir também o peso.
·        A arrumação do material dentro da mochila deve obedecer também as seguintes regras: os livros e os cadernos mais pesados devem ficar o mais próximo possível das costas e o material mais leve, mais distante das mesmas e sempre que a mochila o permitir,
·         Prender todo o material, com o cinto que tem no interior das mochilas.
·        Ao ser colocada a mochila nas costas, as alças devem ser ajustadas para que não exista folga entre as alças e as costas da criança. Por outro lado, é importante que fique alinhada à coluna para evitar uma postura errada da mesma.
·        Ambas as alças devem estar colocadas e não ser transportada apenas por uma delas, mais uma vez evitando assim uma postura incorrecta e uma sobrecarga de peso só de um lado do corpo.
·        Se a mochila for de rodinhas, a criança deve ser sensibilizada para a puxar ora de um lado do corpo ora do outro, para não viciar uma postura só de um lado.

E lembrem-se que alugar um cacifo na escola pode ser uma excelente opção, para os vossos filhos não terem que transportar todos os livros diariamente.
E porque aprender é sempre um ganho, desejo a todos um excelente ano escolar.

domingo, 17 de julho de 2011

EUREKA !!! JÁ SEI O QUE FAZER NAS ONDAS DE CALOR

Com a chegada do verão, embora um pouco envergonhado, os cuidados a ter com as crianças no que diz respeito às ondas de calor devem ser uma prioridade.Por um lado as elevadas temperaturas e os consequentes riscos de desidratação, por outro os raios ultra violeta, e as medidas que podem ser postas em prática.


Os bebés enquanto são pequeninos têm ainda uma imaturidade a nível da regulação da temperatura, se a mesma for elevada, eles não têm capacidade de lhe dar resposta. Consequentemente a temperatura corporal vai aumentando até ao ponto de a criança ficar com hiper-tremia (temperatura elevada). Por este motivos as crianças não devem ser expostas a temperaturas altas.


Para prevenção destas situações devem evitar-se as saídas para o exterior durante as horas de maior calor, (entre 11h e as 17h), principalmente no caso de lactentes.


No caso de estarem dentro de um edifico, com temperatura elevada, existe algumas medidas que podem ser postas em prática, tais como:


- Colocar umas taças com gelo distribuídas pelo compartimento onde a criança se encontra


- Os estores ou as portadas bem como as janelas, devem estar fechados em período de maior calor, e serem abertas quando a temperatura exterior for inferior á interior, de forma a provocar a renovação do ar.


Em relação à criança, colocar vestuário leve, particularmente no período em que estão a dormir, e tendo em atenção que a cabeça também não esteja coberta, uma vez que é através da cabeça que o bebé acumula 20% da temperatura. Dar banhos frequentes às crianças, com água a temperatura cerca de 1 a 2ºC abaixo da temperatura corporal.


No caso de saírem para o exterior, usar roupas frescas, evitando a exposição da pele. Usar sempre chapéu e óculos de sol com protecção contra radiação UVA e UVB. Colocar de forma abundante e frequente protector solar, com protecção igual ou superior a 30, que deve ser colocado sempre antes de a criança sair de casa.


No caso de viajar de carro ter atenção á incidência do sol e colocar a criança onde fizer sombra, ou proteger as janelas.


Oferecer-lhe água regularmente, mesmo antes de ela manifestar que tem sede, e uma quantidade superior ao que é habitual, evitando sempre as bebidas açucaradas.


Em relação à alimentação, quando mama biberão, ter atenção que a temperatura do leite seja baixa, se a preparação exigir alta temperatura, posteriormente arrefece-lo. No caso de já fazer uma alimentação diversificada, optar por refeições leves e frequentes, com maior incidência em saladas, frutas e vegetais.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Ensinar as Crianças a fazer crescer o dinheiro

Já diz o ditado, que "de pequenino se torce o pepino"..., já pensou como pode orientar os seus filhos na gestão económica? Vou abordar algumas pequenas dicas que podem ser um começo!

Motive o seu filho, para dinamizar um plano de gestão económica familiar.
Sim, numa casa existem várias áreas de intervenção económica. Ajude-o a fazer um programa de gestão.

Comece por identificar uma coisa que a criança goste.
Se gosta de comer pão, ou se gosta mais de iogurte, ou outra coisa que desperte o seu interesse.

Posteriormente começa a fazer uma planificação.

No caso de ser o pão:
1-    Quantos pães se comem por dia na sua casa?
2-    Quantas pessoas comem o referido pão diariamente?
3-    Quanto custa cada pão que compra?

No caso de ser iogurtes:
1-    Quantos iogurtes se gastam por dia em sua casa?
2-    Quantas pessoas comem iogurtes diariamente?
3-    Quanto custa cada iogurte dos que costuma comprar?

Construa o mapa dos gastos, para a criança entender como deve orientar o seu raciocinio

A planificação, deve ser feita, numa primeira fase semanal e quando a prática já estiver adquirida passe para uma planificação mensal.


O total é a soma dos pães que se comem durante a semana vezes o custo do pão (45X10=450 Centimos = 4 euros e 50 centimos). Após esta análise, o gasto semanal é, neste caso de 4 euros e 50 cêntimos.

No caso de o alimento seleccionado, ser o leite ou os iogurtes, para além do preço também a data de validade deve ser um motivo de sensibilização.
Posteriormente deverá ser passada para a mão da criança, o montante de dinheiro para a compra do pão, e diáriamente irá á padaria e a criança é que conduz todo o processo de compra, pede o pão, faz o pagamento e gere o troco.
Quando se tratar dos iogurtes ou do leite no supermercado, deve ser a criança a recolher os produtos e a fazer o pagamento dos mesmos.
Sensibilize o seu filho a verificar sempre as datas de validade e a conferir se estão dentro do prazo previstos para o seu consumo, isto no caso dos iogurtes ou do leite.

 Prepare-se para a ver no meio do supermercado, a perguntar-lhe em voz alta: "Oh mãe vou levar este que é mais barato, pode ser?" e você a sentir um calor intenso a invadir-lhe o rosto, cheia de vergonha, com toda a gente a olhar para si com um sorriso...

A criança vai ter assim, a oportunidade de perceber que mesmo tendo dinheiro na carteira, não pode ir comprar um gelado porque tem uma responsabilidade a cumprir e o dever de colocar o produto em casa para a família é uma prioridade.

A gestão económica, mais do que nunca, deve ser um aspecto que os pais devem ter em consideração na formação dos seus filhos, são hábitos que se adquirem, comportamentos que se adoptam e se me permitem dizer: vão "instruindo" a criança para que no futuro, olhe para o dinheiro e o gaste com o devido respeito...!

Daí a importância de:
  •  Ensinar o seu filho a fazer a lista das compras antes de ir ao supermercado, para evitar comprar o que vê, em vez do que necessita! 
  • Explique-lhe a diferença do caro e do barato, analisando o conteúdo dos produtos vs qualidade/marca e em que situação deve estar atento às diferenças de preços, nos diferentes artigos, no momento em que estão no supermercado.
  • Aquando do pagamento das compras deixe-o ser ele a pagar e a conferir o troco.
  • Descontos - o que é isso? Como funcionam? Podem comprar nos saldos? Porque é que um determinado produto é mais barato numas ocasiões e mais caro em outras?

Invista o seu "tempo" agora e poupe " dinheiro" no futuro ....

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Tem a certeza que conversa com o seu filho?

E ele também acha que sim?


Dialogar com o seu filho é fundamental. Conversar às vezes não é fácil, certo?


É importante ouvir o que a criança tem para lhe dizer, e ouvi-la atentamente, até ao fim do raciocínio, tentar não fazer juízos de valor!
As vezes, a vontade de interrompe-la e fazer-lhe correcções de imediato, é uma tentação, não lhe permitindo, expor o seu pensamento e justificar o motivo que a leva a ter aquela forma de ver as coisas.
Faça o esforço de a deixar expressar, tudo o que tem a dizer, até ao fim, e tente perceber se o raciocínio que está a fazer, é seu, ou é do seu grupo de amigos, com o qual se identifica!
Quando os pais caem na tentação de criticar a criança, antes mesmo de lhe permitir expor o seu raciocínio, fazem com que a criança se defenda, e como resultado, cala-se, pois percebe que o que está a dizer não está a ser aceite pelos pais.
Como os pais não têm uma bola de cristal, se não permitirem à criança expressar a sua opinião, não vão ter a oportunidade de conhecer o seu filho e a sua forma de pensar, em determinadas situações.
Muitas vezes acham que o conhecem muito bem, mas dependendo da idade da criança, e se estivermos a falar de adolescentes, a atitude que têm junto dos pais, sofre uma metamorfose, no momento em que estão junto do grupo de amigos.
As crianças por sua vez, tem necessidade de expor a sua opinião, se os pais não são bons ouvintes, sentem necessidade de partilhar os seus pensamentos e sentimentos, com outras pessoas. Pessoas essas, que sejam bons ouvintes e os deixem falar. Isto por sua vez, vai fazer com que queiram retribuir a atitude que tiveram com eles, e passem a ser óptimos receptores, permitindo á pessoa que os esteve a ouvir ser uma influência para eles.
Muitas vezes fazem-no com os amigos. Estes porém têm também o mesmo grau de (i) maturidade, e no caso de o assunto ser um problema, poderá continuar sem orientação, ou não ser a opinião mais acertada. Os pais perante estas situações, vão perder a oportunidade de os auxiliar, caso a criança não esteja a tomar a melhor opção.


Quando o raciocínio da criança não é correcto, pelo menos aos seus olhos, os pais não o devem Inferiorizar, com comentários do tipo: “não percebes nada disso” ou “és tão criancinha “ ou ainda “ainda não tens idade para namoricos!”. Estas são manifestações de desrespeito para com a forma de pensar da criança e não vão ajuda-la a sentir-se autónoma, no momento de ter que tomar uma opção, ou formular uma opinião…!


Valorize sempre o que a criança está a sentir. De preferência, conte-lhe algumas histórias que se tenham passado consigo, quando tinha a idade dela. Conte-lhe a história com cumplicidade, de forma, a que o seu filho sinta o que a mãe ou o pai sentiram naquela situação que estão a retratar, qualquer coisa, como: - Eu estou mesmo a perceber o que estás a sentir, porque foi o que me aconteceu na história que te vou contar…!


Quando uma criança conta a outra um segredo que partilhamos com ela “Um dia contei à minha melhor amiga um segredo, e ela traiu-me a confiança, foi logo a correr contar ao rapaz que eu estava apaixonada por ele….!”


Tente, ter momentos para falar com cada um dos seus filhos, individualmente. Eles têm diferentes opções, diferentes personalidades, diferentes problemas e gostam de ter a sua intimidade, sem a troça dos irmãos.


O vocabulário que utiliza para um, pode não funcionar com o outro, e ninguém melhor que os pais, para saberem o que funciona melhor com cada um dos seus filhos.
Mesmo que a criança não tenha tomado uma boa opção, explique-lhe como deve fazer da próxima vez, mas lembre-se, não o inferiorize.


Crie diariamente um momento de diálogo, em que permita ao seu filho falar dos assuntos que lhe vão na alma…! Pergunte-lhe o que comeu no almoço na escola, ou como lhe correu o teste que teve naquele dia, ou que fez nos tempos livres! Aproveite a hora da refeição para um momento de partilha, e se percepcionar que a criança tem algo que necessite da sua ajuda, então tente posteriormente falar com ela a sós.


Desligue a televisão no momento das refeições. A tendência é dar importância á televisão e o diálogo fica comprometido.


Uma forma de perceber os assuntos de interesse do grupo do seu filho, pode ser convidar os amigos, para frequentarem a vossa casa e aproveite para conversar com eles.  


Quando a criança cresce, e é já um adolescente, continua a precisar muito da orientação dos pais, atrevo-me a dizer que até mais.


Aproveite o momento de adormecer, continue a deitar-se um pouco com ela, mime-a, aproveite o momento em que a luz não é intensa e seja um bom ouvinte, deixe-a falar, ouça-a e caso sinta que necessita de ajuda… no dia seguinte, fale dos assuntos que o preocupam. Escolha a melhor forma de o fazer e prepare-se para os abordar. Se sentir que não está preparado aconselhe-se antes de o fazer, muitas vezes falar com outros pais ajuda a clarificar ideias. E nunca se esqueça do que diz um sábio provérbio popular… “A falar é que as pessoas se entendem”!

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Refrigerantes, sim ou não?

Ok, aceito a sugestão !!!!
 Quais então?
Se o seu filho gosta de beber refrigerantes, como deve fazer a selecção dos mesmos?
Deve antes de mais ensiná-lo a comprar o refrigerante, pois quando for ele a decidir, saberá qual deve preferir e porquê. Para isso ensine-o a analisar o rótulo.
Analisar o quê no rótulo:
·        Concentração de fruta
·        Quantidade de água
·        Concentração de açúcar
·        Se é gasificado ou não
·        Se tem corantes e conservantes

O que deve ensinar ao seu filho quando analisa o rotulo:
Como funciona o marketing?
Sim, é verdade, que a imagem da embalagem, não corresponde obrigatoriamente ao conteúdo, é necessário analisar a concentração de fruta existente no sumo. Esta concentração pode variar e um sumo pode ter 5%, ou 100% de concentração de fruta.
Paga gato por lebre!!!!
(neste caso agua com açúcar, por sumo de fruta)
Por outro lado, é importante a criança perceber que não deve pagar água com açúcar ao preço da fruta. São coisas muito diferentes e com preços igualmente diferentes, dai a criança saber o que está a analisar e avaliar se a concentração de fruta justifica o preço do sumo!
Quando a concentração de fruta é baixa, o sumo tem que ser igualmente vendável, pois é verdade e para isso o açúcar vai ter uma maior concentração. A criança deve então perceber que quanto maior for a concentração de fruta, menor será a adição de açúcar.
Desgaseificados, sim ou não?
A presença de gás no sumo, deve também ser evitada, por um lado para evitar a descalcificação, por outro lado, a ingestão de gás vai originar um aumento do volume a nível gástrico e o consequente mau estar da criança, provocado pela concentração de ar no aparelho digestivo.
Corantes/ conservantes, posso, devo, ou existe outra opção?
Por fim, ajude o seu filho a perceber que para que o sumo se mantenha por um longo período de tempo na embalagem, tem que ter adição de corantes e conservantes. Uma excelente forma de o demonstrar é por exemplo, fazer um sumo de laranja e dar-lho a beber só passado um dia. O sabor do sumo estará completamente alterado.
Daí, explicar á criança, que para que o sumo tenha a capacidade de se manter agradável no interior da embalagem, tenha que lhe ser adicionado os tais aditivos, que se chamam conservantes.
Por outro lado se a concentração da fruta é baixa, para que o sumo tenha aquela agradável cor, são adicionados mais corantes, o que lhe dá uma coloração bastante atractiva.

Opção aconselhável
A opção sempre que possível, deve ser um sumo natural, ensine a criança a prepara-lo ele próprio, preparado na altura em que o vai beber, e a optar por frutos da época. Descasque umas laranjas ou outro fruto e facilmente com a ‘varinha mágica’ fica com um sumo natural, sem corantes nem conservantes, e sem adição de açúcar.
Em situações em que isso não seja possível, que opte por uma grande concentração de fruta, e desgaseificado.
Ensine o seu filho a fazer opções saudáveis!

terça-feira, 10 de maio de 2011

Higiene Oral (2ª parte)

Primeira dentição


Após o nascimento do primeiro dente, a lavagem deve começar a ser feita pelos pais, duas vezes por dia; de manhã e à noite, sempre no final das refeições.
Deve para isso ser utilizada uma escova macia, a pasta de dentes a ser utilizada deve ter uma concentração de flúor com 1000 a 1500 ppm (mg/l).
Para que esta actividade possa ser posta em prática, é importante que a criança não utilize o biberão como chupeta, nem adormeça com este na boca. Como uma medida alternativa, os pais podem começar a oferecer ao seu filho um copo com uma palhinha ou um copo que tenha uma tampa anexada para permitir à criança estar com este na mão, mas não o entornar. Com alguma insistência e paciência a criança vai adoptar esta actividade como normal e colocar o biberão de parte.
Por outro lado, na tentativa de tranquilizar a criança, coloca-se açúcar ou mel na chupeta, ou as famosas gotas cor-de-rosa. Estes comportamentos devem ser evitados após o nascimento dos dentes, pois estes açucares vão ficar depositados durante muitas horas na boca e dar origem a cáries.
É importantes os pais implementarem uma cultura de lavagem dos dentes, não só eles, como também os outros cuidadores a quem deixam a criança a seu cargo, nomeadamente em amas, avós e infantários. Antigamente a higiene oral não era uma prática muito frequente, daí que não esteja enraizado este hábito como seria desejável. É tarefa dos pais, periodicamente sensibilizarem-nos para esta prática.
Para além dos alimentos, também muitos medicamentos (dada a sua concentração de açúcar para tornar o paladar aceitável á criança) têm um grande potencial na origem da cárie. É importante que os profissionais de saúde orientem os pais nesse sentido, sempre que seja possível, optar por um medicamento menos rico em açúcar. Uma das medidas que os pais podem adoptar, caso não seja possível fazer a higiene oral, devem dar água a beber à criança, uma vez que vai diminuir a concentração de açúcar na boca.
Até aproximadamente aos 3 anos, a higiene ou lavagem dos dentes deve ser feita pelos cuidadores. Os pais devem fazer desta prática uma brincadeira e até muitas vezes uma forma de massajar a boca da criança, na tentativa de diminuir o mal-estar perante o rebentar de novos dentes.
A partir dos 3 anos, os pais ou cuidadores devem tentar incutir a autonomia da criança. A criança imita hábitos, daí ser tão importante, os pais e filhos lavem os dentes ao mesmo tempo. Os pais devem verbalizar os dentes que estão a lavar e o local - “vamos lavar a frente dos dentinhos….primeiro os de cima… e agora os de baixo… e a parte de dentro dos dentes que também deve ser lavada)”, para orientarem a criança e assim perceberem o tempo necessário de lavagem de cada local.
É também nesta fase que a criança começa a querer experimentar comer rebuçados e chupa-chupas. É muito cruel da minha parte dizer que proíbam os seus filhos de comer um rebuçado, mas se o comerem reforcem sempre a importância da lavagem dos dentes, pelo risco de depósito do açúcar. O mesmo acontece quando bebe refrigerantes…
Por volta dos 6 anos começam a crescer os molares, devido à sua morfologia e à sua localização na boca, a lavagem não é tão simples e consequentemente as cáries destes dentes, são muito frequentes, daí a importância de deverem uma maior atenção a estas situações.
Uma fase mais difícil de lidar com a higiene oral é na adolescência. É importante que os pais façam sentir aos filhos que o seu mau hálito pode afastar os colegas. Nesta fase do desenvolvimento, as questões de saúde na mente do adolescente, não são fundamentais. A visão do grupo é que é importante ressaltar, daí darmos-lhes a opinião que os outros colegas podem ter deles… As conquistas são também uma realidade e faze-los reflectir sobre esse prisma, pode ter uma força importante. Algo do género: “Já viste que agradável vai ser quando falares, sentirem esse cheirinho agradável de dentes lavados!!!”
Ir de encontro aos seus interesses é também uma alternativa muito eficaz, o uso de chicletes sem açúcar como forma de fazer higiene oral pode ser uma opção, não como uma rotina, mas sempre que não seja possível faze-lo com a escova e o dentífrico.
Uma vez que as cáries podem causar problemas graves de saúde, nomeadamente cardíacos, meningites, hemorragia gengival, entre outros, a sua detecção numa fase precoce ou em inicio é fundamental. Os pais têm um papel fundamental na vigilância da boca dos miúdos, para o encaminhamento da saúde sempre que surja uma cárie. Desde cedo, a selagem pode ser boa forma de prevenção da cárie.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Higiene Oral (1ª parte)

O que é uma boa higiene oral?
É uma limpeza que permite retirar todos os restos de alimentos, bem como restos de medicação. Ao mesmo tempo impossibilita que as bactérias se depositem nos dentes, gengivas e língua de forma a destruir a dentição.
O que é a placa bacteriana?
A placa bacteriana é uma placa transparente que se aloja por cima dos dentes e das gengivas, constituída por bactérias e os seus constituintes. Quando a remoção desta placa não se fez, o que acontece é que vai formando uma consistência endurecida e mais aderente aos dentes, denominando-se o famoso tártaro. Enquanto têm a tal película transparente, pode ser removida pela própria pessoa com uma escova de dentes, dentífrico, fio dentário e escovilhão, quando assume características de tártaro, já só pode ser removida por profissionais de saúde oral.
Estas bactérias multiplicam-se constantemente na boca, utilizando para se alimentar os nutrientes dos alimentos que ingere e a saliva. As bactérias, quando se alimentam de hidratos de carbono (especialmente os açucares), produzem ácidos que vão corroer os tecidos duros dos dentes (o esmalte). Com o frequente ataque dos ácidos, o esmalte danifica-se e as cáries aparecem.
Para uma correcta técnica de escovagem devem ser executados movimentos de rotação sobre cada face do dente, seguindo de uma ponta da boca até à outra extremidade. A escova deve também fazer a limpeza do espaço entre os dentes e as gengivas e a língua não deve ser esquecida neste processo.
Uma questão que muitas vezes é colocada refere-se á quantidade de dentrífico aconselhável. A orientação que deve ser dada, é que a quantidade necessária é a do tamanho da unha do dedo mindinho.
Nos infantários, muitas vezes, a não colocação desta prática é justificada pelo facto de as crianças confundirem os copos e as escovas. Uma das medidas a ser implantada, pode ser por exemplo, criar um símbolo da criança e colocar esse símbolo no copo.
 Lembro-me que quando a minha filha andava no infantário, cada menino tinha como representação um animal, a minha filha era a joaninha. Colocar esse símbolo no copo e na pega da escova era uma forma de ela identificar o seu kit de higiene oral. Uma outra noção que muitas vezes as pessoas têm, que é um mito, a maioria das vezes, é o facto de a escola não ter condições para o fazer. Se a criança tiver um estojo com a escova e uma garrafa de água pode por esse hábito em prática, sem se preocupar que todo o dentífrico seja removido, pois o facto ficarem restos de dentífrico na boca vai permitir a absorção do flúor por parte dos dentes, e não tem qualquer tipo de inconveniente.
Uma vez que tanto o nascimento dos dentes, como as cáries, causam algum mau estar, os pais podem e devem suavizar todas estas ocorrências de uma forma um pouco cor de rosa, o hábito de se manter perante a queda de um dente da criança é a historiada da fada, em que a criança coloca o seu dente debaixo da almofada e no dia seguinte a “fada” deixou lá ficar uma lembrança. Essa lembrança não é necessário ser um grande presente, pode ser um lápis engraçado, um caderno diferente, uns lápis de cor, um pequeno livro de histórias, qualquer coisa simbólica. O engraçado desta situação é manter na mente da criança a magia e a oportunidade de continuar a brincar com os pais…!
Uma outra forma de brincar com esta situação e de manter uma cultura familiar à volta dos dentes, é o hábito de fotografarem os seus filhos sempre que lhes cai um dente e colocarem no seu álbum, como um destaque! Não é obrigatório ter uma máquina fotográfica, os telemóveis actualmente têm essa funcionalidade.
Troca de escova
A escova de dentes deve ser trocada aproximadamente de 3 em 3 meses, para que não fique extremamente danificada. Preferencialmente deve ser macia, de cabeça pequena, para agilizar melhor dentro da boca.
A escova de dentes só limpa 3/5 do dente, o fio dentário e o escovilhão são ferramentas também fundamentais para que a higiene oral seja eficiente.
Uma dúvida que muitas vezes é frequente, é se as crianças devem ou não fazer a ingestão de flúor como suplemento: a partir do momento em que a criança bebe água da rede pública, que é portadora de flúor, que usa um dentífrico que contenha fluoretos, entre 1000 a 1500 ppm e que faça uma alimentação variada, rica em leite e derivados, não necessita de fazer suplemento de flúor, até pelo risco de estar a fazer flúor em excesso, não havendo qualquer vantagem com isso bem pelo contrário.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Mochilas escolares

O uso das mochilas pesadas, por si só não desenvolve desvios da coluna, como se possa imaginar. O que o peso pode acarretar são transtornos e dor, queixas provocadas pelo esforço físico exagerado.
Segundo orientações da OMS, o peso aconselhável para a mochila escolar, deve ser até 10% do peso da criança ou adolescente.
Várias são as preocupações dos pais a este respeito e a este tema e uma das situações que têm que analisar é a quantidade de livros e cadernos que a criança transporta e a sua necessidade.
Outro aspecto é o tipo de percurso que a criança tem que fazer até à escola. Se este é rectilíneo, sem muitas escadas e com passeios, a mochila de rodinhas pode ser uma óptima opção. Se o percurso é irregular, com muitas escadas, sem passeios e se eventualmente ainda tem que utilizar transportes públicos, a mochila de colocar nas costas talvez seja a melhor opção.
Quando os pais e a criança fazem a selecção da compra, vários aspectos devem ter em atenção. Um deles é o peso, quantos mais adereços tiver, mais pesada será a mochila. Por outro lado, a mochila deve ser proporcional às costas da criança. A borda superior da mochila deve estar ao nível do ombro e a borda inferior deve ficar apoiada na região lombar e nunca descer abaixo desta zona do corpo. As duas alças da mochila devem ser largas e acolchoadas, para distribuir e uniformizar a pressão do peso nos ombros. Algumas mochilas têm uns cintos no seu interior para permitir prender os livros e os cadernos, de forma a que quando estes se movimentam não provoquem um desequilíbrio na criança.
Se a opção for uma mochila de rodinhas, devem ter atenção à dimensão da pega, de acordo com o tamanho da criança. A criança quando transporta a mochila deve fazê-lo com o braço esticado.
É importante que seja transportado apenas o material necessário àquele dia. Os pais podem colaborar no hábito da criança, supervisionar o horário e colocar o material de acordo só com as necessidades daquele dia. Também na compra dos cadernos podem optar por cadernos pequenos, em vez de cadernos grandes, para diminuir também o peso. Os avós podem aqui ter um papel muito importante, sempre que a disponibilidade o permitir, na avaliação do peso da mochila dos seus netos.
A arrumação do material dentro da mochila deve obedecer também a regras: os livros e os cadernos mais pesados devem ficar o mais próximo possível das costas e o material mais leve, mais distante das mesmas e sempre que a mochila o permitir, prender esse material com o cinto que tem no interior das mochilas.
Ao ser colocada a mochila nas costas, as alças devem ser ajustadas de forma a que não exista folga entre as alças e as costas da criança. Por outro lado, é importante que fique alinhada à coluna para evitar uma postura errada da mesma. Quando a criança, pelo peso da mochila, é obrigada a dobrar-se para a frente ou para trás, durante um longo período de tempo, vai estar a adoptar uma postura incorrecta – é necessário analisar o que se passa.
Ambas as alças devem estar colocadas e não ser transportada apenas por uma delas, mais uma vez evitando assim uma postura incorrecta e uma sobrecarga de peso só de um lado do corpo.
Se a mochila for de rodinhas, a criança deve ser sensibilizada para a puxar ora de um lado do corpo ora do outro, para não viciar uma postura só de um lado.
Também me parece que se enquadra aqui, ser o professor de Educação Física a advertir para as vantagens de uma boa postura e os cuidados a ter com a mochila.
E porque falamos em professor, um papel fundamental pode ter a escola, no sentido de disponibilizar aos alunos armários que lhes permitam guardar algum material que não seja necessário transportar diariamente. Existem escolas em que o aluno aluga no inicio do ano um cacifo e paga um montante simbólico, para que no final do ano faça a entrega da chave e lhe seja devolvido esse montante.
Um desafio interessante ainda lançado às escolas e mais especificamente aos professores, é o aproveitamento das novas tecnologias informáticas, fornecendo DVDs ou CDs para os alunos estudarem em casa, caso tenham computador ou o uso de uma pen, que lhes facilita o transporte da informação.
Aproveito para contar um caso que me parece interessante: uma professora de Inglês, que gravava as aulas em Ipod permitindo aos alunos estudarem de uma forma que vai ao encontro dos seus gostos e fazê-lo sem a formalidade de uma actividade de estudo.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Castigos

  • Proporcionais ao erro cometido.
  • A partir do momento que se implementa tem que se cumprir até ao final, para não existir perda de credibilidade por parte do filho(a), caso não se cumpra totalmente. 
  • Ser negociado com a criança.

É importante percebermos que é normal as crianças irem para além daquilo que lhes é permitido. Isso faz parte do desenvolvimento normal da criança. Existem asneiras e asneiras e perante elas devemos analisar se efectivamente é algo assim tão grave…
Quando se trata de uma situação que os pais não estão minimamente à espera, porque não é uma conduta normal dos filhos e foge aos valores que lhe foram incutidos, devemos analisar com a criança o que a levou a ter aquele comportamento. Às vezes é uma atitude de grupo ou para que o jovem tenha uma aceitação do seu grupo de amigos.
Conheço uma jovem, que para ser aceite pelos amigos, um dia resolveu sair da escola (sem a autorização dos pais), para ir com eles ao café próximo da escola. Segundo a jovem referiu, os amigos achavam que ela era exageradamente bem comportada e após esta situação passou a ser bem aceite por eles… Segundo ela referia “eles agora já acham que sou uma pessoa como eles…”. Perante esta situação, a questão era: “qual o castigo que esta jovem merece?” Após a sua descrição da situação e uma vez que a escola normalmente impõe um castigo, a mãe optou por lhe fazer ver que era uma atitude incorrecta e que não se devia repetir, optou por não lhe dar outro castigo, para além do atribuído pela escola. Na escola teve de fazer uma semana de trabalho comunitário - servir às mesas do refeitório.
È importante que o castigo seja adaptado á situação. Sempre que o erro é do tamanho de uma formiga, não lhe devemos dar um castigo do tamanho de um elefante! O contrário também se aplica.
Pais, se querem filhos que cresçam com valores, regras e normas, não fiquem à espera que estas lhes sejam incutidas nos infantários ou nas escolas. Conversem muito com os vossos filhos, pois muitas vezes as atitudes desajustadas dos filhos têm por base uma chamada de atenção.
Por muito que lhe custe, pai e mãe, os castigos devem se levados até ao fim! Caso assim não seja a criança vai perceber que existe, por parte de vocês, uma falta de rigor. Vai achar que essa atitude vai acontecer dessa forma, também quando surgem situações fora do ambiente familiar. Quando uma outra situação surge posteriormente a criança não vai ficar preocupada, porque vai achar que, mesmo que o castigo lhe custe, a meio os pais vão levantar-lho. Se assim não acontece, a criança ou adolescente, vai achar que é porque não gostam dela, vai sentir-se inferiorizada e vai começar a `jogar’ á defesa!
Uma atitude que normalmente funciona muito bem, e até para perceberem o quanto a criança entende que errou, é perguntar-lhe o que é que ela acha que merece de castigo… Vão perceber que a criança é muito rigorosa com os seus próprios castigos, caso seja uma criança habituada a ter regras e normas. Se achar que é um castigo muito duro para o erro então implemente-o durante um período de tempo mais reduzido.
Perguntam os pais: “ O que podemos ou devemos dar como castigos?”
Pensem que o castigo é para a criança e não para toda a família…
Se proibir o seu filho de ver televisão durante 2 ou 3 dias, na altura em que a família ou os irmãos querem ver televisão, a criança deve ir para o seu quarto…
 Se fica impedido de ir ao computador e tem que fazer um trabalho para a escola, escreva na caderneta ou entre em contacto com o professor e não levante o castigo. Peça ao professor para que se cumpra a tarefa após o castigo!
Se a tarefa é uma actividade diária em casa, como por exemplo levantar e pôr a mesa ou arrumar a louça da máquina…, mesmo que o seu filho lhe diga que tem que fazer os trabalhos de casa, exija que cumpra o castigo igualmente!
Não castigue uma criança com a alimentação, isso faz com que a criança se baralhe e pense que comer ou não comer o que quer que seja, tem a ver com o seu comportamento. Analise antes uma actividade que a criança goste e diga-lhe que não a pode fazer durante 2 ou 3 dias…
Perante estas situações, o seu papel é de pai ou de mãe, daí ser muito importante ambos estarem de acordo e não demonstrarem discórdia perante os filhos. Muitas vezes, um acha que o castigo é demasiado rigoroso, o outro acha que não… Negoceiem isso antes de o implementarem á criança, mas não o faça na sua presença, pelo risco de se descredibilizarem. A criança vai ficar baralhada: “foi ou não foi um erro?”, “mereço ou não o castigo?” Perante estas situações conversem bastante com os vossos filhos.
Estejam atentos no dia-a-dia, para terem a certeza que não existe uma situação que os ande a incomodar e que os leve a ter certos comportamentos. Acima de tudo, demonstrem o amor que sentem por eles! Mesmo quando lhes dizem que têm que cumprir o castigo que lhes foi dado, não é necessário continuar a ralhar. Pode sempre dizer-se “Eu gosto muito de ti, por isso é que estou a educar-te, o facto de estares a cumprir essa tarefa é para te ajudara crescer!”, em vez de “Vais fazer aquilo porque és mal comportado!”. O raciocínio da criança vai ser “Se já sou mal comportado, então posso continuar a cometer erros, é normal nas atitudes das pessoas que são mal comportadas…”

quarta-feira, 20 de abril de 2011

As birras como lidar com elas

A criança que acredita em si própria tem mais facilidade em enfrentar os seus erros. Lentamente aprende a aceitá-los e a sentir-se feliz quando é capaz de os corrigir.
O reforço positivo é importante, mas devemos ter cuidado para que a criança não dependa desse reforço, pois pode não os poder ter e aí terá uma atitude defensiva. Devemos levar a criança a pensar que está com orgulho dela própria e não que é um orgulho para os pais.
As birras começam geralmente durante o 2ºano de vida. A criança começa a explorar o mundo á sua volta e fica confusa, “será que o meu pai ou mãe continuam ali?”, “ficaram zangados por eu descer sozinho a escadas?”. Daí, ao tomar estas atitudes, a criança olhar para trás, para se certificar do comportamento de aceitação dos pais.
As birras acontecem muitas vezes quando a criança não sabe que decisão tomar: Sim ou não? Faço ou não faço?
Muitas vezes, sem motivo aparente, a criança começa a chorar e por detrás disso está a sua insegurança perante a atitude que deve tomar – de independência ou de medo???
Tente, caso seja possível, deixa-la tomar a decisão sozinha e elogie a sua decisão e esforço; não a ajude, pois aí vai estar a aumentar a sua fúria; nem a tente impedir, afaste-se de forma a que ela tenha que tomar sozinha a decisão! Quando se aproximar diga-lhe: “é difícil decidir não é? Mas tu foste capaz de o fazer sozinha!”
Para os pais, o sentimento de impotência e perda de controlo da criança está directamente ligado com a perda de controlo dos próprios pais. Estas birras geram uma grande angústia nos pais, o que muitas vezes leva ao castigo físico.
A forma mais segura de fazer parar estas situações é virar as costas e dizer á criança “quando te acalmares eu volto!”. E se quando voltar a birra também voltar, mais uma vez afastar-se e dizer “quando te acalmares eu volto!”.
A criança vai deixar de ter “plateia” para a sua actividade e vai parar. Quando voltar para a situação, pegue na criança ao colo e diga-lhe que é difícil para ela aquela situação e que a compreende, mas que ela já foi capaz de tomar a decisão sozinha…
Ao afastarem-se, os pais estão a encorajá-la. Ao sentir que consegue dominar estes sentimentos e que não depende dos pais para tomar a decisão, a criança sente-se feliz.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Separação

Após uma separação é importante que ambos os pais percebam que a criança não se separou, nem se quer separar…
 Continua a querer tanto o pai como a mãe e tanto um como o outro são necessários para o desenvolvimento normal e saudável da criança!
É importante que o progenitor que não vive maioritariamente com a criança perceba que, apesar disso, a criança continua a gostar dele como gostava. Muitas vezes ainda sente que gosta mais, porque no dia-a-dia tem que cumprir com regras e mais regras e quando está com o progenitor com o qual não vive, pode fazer algumas coisas que não é comum fazer diariamente (por ex. escolher o que comer, o programa de televisão ou ter prioridade na escolha das brincadeiras), até porque, na maioria das situações, esse período já fica reservado apenas para o tempo passado com a criança.
Por vezes a criança tem tendência para tratar “pior” o progenitor com quem coabita mais… É muitas vezes a sua forma de exteriorizar a revolta que sente, por no seu íntimo querer estar com ambos… Nessa situação não devem ficar zangados com eles.
 Muitas vezes o progenitor verbaliza “Então sou eu que tenho o trabalho todo contigo e tu ainda assim tens essa revolta toda contra mim!!!”.
 Os pais, nesta situação, devem sim perceber que a criança está perante um momento de sofrimento e sente necessidade de exteriorizar o que sente. Devem dar-lhe aconchego, palavras de compreensão, dizer-lhe mesmo “Eu entendo que estejas triste e revoltado, que não querias esta situação e que te está a ser difícil ultrapassar!”. Se possível permitir-lhe falar com o outro progenitor, telefonar-lhe ou escrever o que está a sentir e depois entregar-lhe, para que ambos possam falar dessa situação e sentimentos…
Se é difícil para os adultos passar por um divórcio, muito mais é para a criança que, para além de não querer o divórcio, ainda não tem desenvolvidas as suas capacidades de defesa!
Quando a criança sente saudades do progenitor que não tem presente, uma forma de lhe diminuir a angústia pode ser contar-lhe que antigamente, os pais de outros meninos iam para a guerra e não existiam telemóveis para poderem comunicar, ou então, tinham de imigrar para outro país e só uma ou duas vezes por ano é que estavam juntos; Outros tinham doenças como a tuberculose e tinham que ficar internados em hospitais, sem poderem ter contactos até se curarem… Estas situações eram difíceis para esses filhos e o período que passavam com os pais era muito mais curto.
Por sua vez, quando surge uma outra relação, existe a tendência, de que a pessoa que entra para a relação se sinta ameaçada. Perante este cenário devem tentar racionalizar: quando iniciaram a relação a criança já existia… Tentem perceber como a criança funciona, ela também merece o seu espaço. Façam-na sentir-se importante e que continua a ser amada! Deixem-na escolher também as actividades que façam conjuntamente, esta criança também tem que ser conquistada… A chegada de outra pessoa não lhe deve ser imposta e se muitas vezes não se sente cómoda, a primeira reacção é a rejeição! Por em prática a inteligência emocional é uma mais-valia: ter a capacidade de negociação. Quando a criança sente que estão a querer conquistá-la, vai-se sentir importante e isso vai facilitar a aproximação. No caso das meninas, pintem-lhe as unhas, por ex, ou brinquem um bocadinho com as bonecas; no caso dos meninos, um jogo de futebol, ou um passeio de bicicleta, ou um jogo de playstation, só a dois, faz milagres…
A criança é um ser indefeso, que quanto mais instável estiver, maior vai ser a sua revolta. Está-lhe a ser alterado o seu padrão de vida e todo este desconhecimento de normas e situações causa-lhe grandes angústias! Por um lado as regras da mãe, por outro lado as regras do pai…; além disso, uma grande parte das pessoas, com pena da criança, tendem a dar o seu palpite e a querer colaborar, o que na maioria das situações ainda complica mais, porque é mais uma visão diferente de analisar a situação… A criança vai sentir-se como ‘uma barata tonta’, sem saber como se orientar. Muitas vezes o reflexo disto são noites consecutivas mal dormidas, com grande dificuldade de concentração nas aulas. A cabeça da criança está a pensar nos problemas e não no que o professor está a falar…; outras crianças ficam sem apetite ou com um apetite muito superior ao normal, dependendo do metabolismo.
Pense em todas estas dificuldades e por muito que lhe esteja a custar passar por essa situação, pense que muito mais está a custar às crianças! Por outro lado, para que a criança se adapte melhor à situação, pode sempre demonstrar-lhe aspectos positivos do divórcio: tem a possibilidade de passar férias com pessoas diferentes, em sítios diferentes, em períodos mais alargados, têm atenção redobrada, conforme esteja com o pai ou com a mãe…
Para bem do normal desenvolvimento da criança é importante que as regras a que está habituada sejam mantidas. Aqui estou a referir-me a crianças mais pequeninas, por exemplo, os horários da refeição da criança, as horas de sono, se está a tentar deixar a fralda e não é dada continuidade a este treino durante um ou dois dias, lavar as mãos antes das refeições, escovar os dentes, etc., etc. A criança é um ser de hábitos e todas estas alterações nas suas rotinas vão causar-lhe grandes momentos de stress e angustias, deixam de ser cumpridos os seus hábitos de rotina diários… Muitas vezes os pais não partilham das mesmas opiniões e têm atitudes completamente antagónicas – quem sofre com a situação é a criança… Já pensou nisso?
Por outro lado não diga à criança aquilo que considera como defeito no outro progenitor, vai fazer com que a criança se sinta constrangida e defensiva. Se a sua intenção era influenciar a criança, não precisa de o fazer! Se o assunto for realmente importante, a criança com o seu normal desenvolvimento vai ter oportunidade de se aperceber, no momento oportuno e numa fase que tenha maturidade de compreensão! Caso contrário, pode estar a abordar um assunto para o qual a criança não tenha ainda maturidade de compreensão, e em vez de a estar a elucidar, está a magoa-la profundamente, além de não estar a aproveitar de uma forma alegre e harmoniosa o tempo que está a passar com o seu filho! Em vez de o estar a ensinar a viver de uma forma alegre e bem-disposta, está a transmitir-lhe uma maneira de estar na vida rancorosa, destrutiva e pouco saudável…
O seu filho é uma criança, deixe-o viver feliz e alegre, desfrutar a sua liberdade de ser criança, sem ter que carregar o peso de problemas e desavenças. Ensine-o a construir um dia a dia agradável e ausente de rancores, para ele poder passar esse momento o melhor possível, sem que fique com grandes marcas da separação. Assim como se aprende a acertar os ponteiros do relógio, quando surge o fim de um casamento também tem que existir uma aprendizagem perante a separação. O desenvolvimento de uma separação que seja funcional, enquanto pais, contribuirá para reforçar a estabilidade dos filhos! Quanto mais harmoniosa for a forma de lidar com as situações, maior vai ser a capacidade de lidar com uma vida nova de uma forma positiva e construtiva!