Áreas de intervenção: Pediátrica - Cuidados Gerais

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Tem a certeza que conversa com o seu filho?

E ele também acha que sim?


Dialogar com o seu filho é fundamental. Conversar às vezes não é fácil, certo?


É importante ouvir o que a criança tem para lhe dizer, e ouvi-la atentamente, até ao fim do raciocínio, tentar não fazer juízos de valor!
As vezes, a vontade de interrompe-la e fazer-lhe correcções de imediato, é uma tentação, não lhe permitindo, expor o seu pensamento e justificar o motivo que a leva a ter aquela forma de ver as coisas.
Faça o esforço de a deixar expressar, tudo o que tem a dizer, até ao fim, e tente perceber se o raciocínio que está a fazer, é seu, ou é do seu grupo de amigos, com o qual se identifica!
Quando os pais caem na tentação de criticar a criança, antes mesmo de lhe permitir expor o seu raciocínio, fazem com que a criança se defenda, e como resultado, cala-se, pois percebe que o que está a dizer não está a ser aceite pelos pais.
Como os pais não têm uma bola de cristal, se não permitirem à criança expressar a sua opinião, não vão ter a oportunidade de conhecer o seu filho e a sua forma de pensar, em determinadas situações.
Muitas vezes acham que o conhecem muito bem, mas dependendo da idade da criança, e se estivermos a falar de adolescentes, a atitude que têm junto dos pais, sofre uma metamorfose, no momento em que estão junto do grupo de amigos.
As crianças por sua vez, tem necessidade de expor a sua opinião, se os pais não são bons ouvintes, sentem necessidade de partilhar os seus pensamentos e sentimentos, com outras pessoas. Pessoas essas, que sejam bons ouvintes e os deixem falar. Isto por sua vez, vai fazer com que queiram retribuir a atitude que tiveram com eles, e passem a ser óptimos receptores, permitindo á pessoa que os esteve a ouvir ser uma influência para eles.
Muitas vezes fazem-no com os amigos. Estes porém têm também o mesmo grau de (i) maturidade, e no caso de o assunto ser um problema, poderá continuar sem orientação, ou não ser a opinião mais acertada. Os pais perante estas situações, vão perder a oportunidade de os auxiliar, caso a criança não esteja a tomar a melhor opção.


Quando o raciocínio da criança não é correcto, pelo menos aos seus olhos, os pais não o devem Inferiorizar, com comentários do tipo: “não percebes nada disso” ou “és tão criancinha “ ou ainda “ainda não tens idade para namoricos!”. Estas são manifestações de desrespeito para com a forma de pensar da criança e não vão ajuda-la a sentir-se autónoma, no momento de ter que tomar uma opção, ou formular uma opinião…!


Valorize sempre o que a criança está a sentir. De preferência, conte-lhe algumas histórias que se tenham passado consigo, quando tinha a idade dela. Conte-lhe a história com cumplicidade, de forma, a que o seu filho sinta o que a mãe ou o pai sentiram naquela situação que estão a retratar, qualquer coisa, como: - Eu estou mesmo a perceber o que estás a sentir, porque foi o que me aconteceu na história que te vou contar…!


Quando uma criança conta a outra um segredo que partilhamos com ela “Um dia contei à minha melhor amiga um segredo, e ela traiu-me a confiança, foi logo a correr contar ao rapaz que eu estava apaixonada por ele….!”


Tente, ter momentos para falar com cada um dos seus filhos, individualmente. Eles têm diferentes opções, diferentes personalidades, diferentes problemas e gostam de ter a sua intimidade, sem a troça dos irmãos.


O vocabulário que utiliza para um, pode não funcionar com o outro, e ninguém melhor que os pais, para saberem o que funciona melhor com cada um dos seus filhos.
Mesmo que a criança não tenha tomado uma boa opção, explique-lhe como deve fazer da próxima vez, mas lembre-se, não o inferiorize.


Crie diariamente um momento de diálogo, em que permita ao seu filho falar dos assuntos que lhe vão na alma…! Pergunte-lhe o que comeu no almoço na escola, ou como lhe correu o teste que teve naquele dia, ou que fez nos tempos livres! Aproveite a hora da refeição para um momento de partilha, e se percepcionar que a criança tem algo que necessite da sua ajuda, então tente posteriormente falar com ela a sós.


Desligue a televisão no momento das refeições. A tendência é dar importância á televisão e o diálogo fica comprometido.


Uma forma de perceber os assuntos de interesse do grupo do seu filho, pode ser convidar os amigos, para frequentarem a vossa casa e aproveite para conversar com eles.  


Quando a criança cresce, e é já um adolescente, continua a precisar muito da orientação dos pais, atrevo-me a dizer que até mais.


Aproveite o momento de adormecer, continue a deitar-se um pouco com ela, mime-a, aproveite o momento em que a luz não é intensa e seja um bom ouvinte, deixe-a falar, ouça-a e caso sinta que necessita de ajuda… no dia seguinte, fale dos assuntos que o preocupam. Escolha a melhor forma de o fazer e prepare-se para os abordar. Se sentir que não está preparado aconselhe-se antes de o fazer, muitas vezes falar com outros pais ajuda a clarificar ideias. E nunca se esqueça do que diz um sábio provérbio popular… “A falar é que as pessoas se entendem”!

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Refrigerantes, sim ou não?

Ok, aceito a sugestão !!!!
 Quais então?
Se o seu filho gosta de beber refrigerantes, como deve fazer a selecção dos mesmos?
Deve antes de mais ensiná-lo a comprar o refrigerante, pois quando for ele a decidir, saberá qual deve preferir e porquê. Para isso ensine-o a analisar o rótulo.
Analisar o quê no rótulo:
·        Concentração de fruta
·        Quantidade de água
·        Concentração de açúcar
·        Se é gasificado ou não
·        Se tem corantes e conservantes

O que deve ensinar ao seu filho quando analisa o rotulo:
Como funciona o marketing?
Sim, é verdade, que a imagem da embalagem, não corresponde obrigatoriamente ao conteúdo, é necessário analisar a concentração de fruta existente no sumo. Esta concentração pode variar e um sumo pode ter 5%, ou 100% de concentração de fruta.
Paga gato por lebre!!!!
(neste caso agua com açúcar, por sumo de fruta)
Por outro lado, é importante a criança perceber que não deve pagar água com açúcar ao preço da fruta. São coisas muito diferentes e com preços igualmente diferentes, dai a criança saber o que está a analisar e avaliar se a concentração de fruta justifica o preço do sumo!
Quando a concentração de fruta é baixa, o sumo tem que ser igualmente vendável, pois é verdade e para isso o açúcar vai ter uma maior concentração. A criança deve então perceber que quanto maior for a concentração de fruta, menor será a adição de açúcar.
Desgaseificados, sim ou não?
A presença de gás no sumo, deve também ser evitada, por um lado para evitar a descalcificação, por outro lado, a ingestão de gás vai originar um aumento do volume a nível gástrico e o consequente mau estar da criança, provocado pela concentração de ar no aparelho digestivo.
Corantes/ conservantes, posso, devo, ou existe outra opção?
Por fim, ajude o seu filho a perceber que para que o sumo se mantenha por um longo período de tempo na embalagem, tem que ter adição de corantes e conservantes. Uma excelente forma de o demonstrar é por exemplo, fazer um sumo de laranja e dar-lho a beber só passado um dia. O sabor do sumo estará completamente alterado.
Daí, explicar á criança, que para que o sumo tenha a capacidade de se manter agradável no interior da embalagem, tenha que lhe ser adicionado os tais aditivos, que se chamam conservantes.
Por outro lado se a concentração da fruta é baixa, para que o sumo tenha aquela agradável cor, são adicionados mais corantes, o que lhe dá uma coloração bastante atractiva.

Opção aconselhável
A opção sempre que possível, deve ser um sumo natural, ensine a criança a prepara-lo ele próprio, preparado na altura em que o vai beber, e a optar por frutos da época. Descasque umas laranjas ou outro fruto e facilmente com a ‘varinha mágica’ fica com um sumo natural, sem corantes nem conservantes, e sem adição de açúcar.
Em situações em que isso não seja possível, que opte por uma grande concentração de fruta, e desgaseificado.
Ensine o seu filho a fazer opções saudáveis!

terça-feira, 10 de maio de 2011

Higiene Oral (2ª parte)

Primeira dentição


Após o nascimento do primeiro dente, a lavagem deve começar a ser feita pelos pais, duas vezes por dia; de manhã e à noite, sempre no final das refeições.
Deve para isso ser utilizada uma escova macia, a pasta de dentes a ser utilizada deve ter uma concentração de flúor com 1000 a 1500 ppm (mg/l).
Para que esta actividade possa ser posta em prática, é importante que a criança não utilize o biberão como chupeta, nem adormeça com este na boca. Como uma medida alternativa, os pais podem começar a oferecer ao seu filho um copo com uma palhinha ou um copo que tenha uma tampa anexada para permitir à criança estar com este na mão, mas não o entornar. Com alguma insistência e paciência a criança vai adoptar esta actividade como normal e colocar o biberão de parte.
Por outro lado, na tentativa de tranquilizar a criança, coloca-se açúcar ou mel na chupeta, ou as famosas gotas cor-de-rosa. Estes comportamentos devem ser evitados após o nascimento dos dentes, pois estes açucares vão ficar depositados durante muitas horas na boca e dar origem a cáries.
É importantes os pais implementarem uma cultura de lavagem dos dentes, não só eles, como também os outros cuidadores a quem deixam a criança a seu cargo, nomeadamente em amas, avós e infantários. Antigamente a higiene oral não era uma prática muito frequente, daí que não esteja enraizado este hábito como seria desejável. É tarefa dos pais, periodicamente sensibilizarem-nos para esta prática.
Para além dos alimentos, também muitos medicamentos (dada a sua concentração de açúcar para tornar o paladar aceitável á criança) têm um grande potencial na origem da cárie. É importante que os profissionais de saúde orientem os pais nesse sentido, sempre que seja possível, optar por um medicamento menos rico em açúcar. Uma das medidas que os pais podem adoptar, caso não seja possível fazer a higiene oral, devem dar água a beber à criança, uma vez que vai diminuir a concentração de açúcar na boca.
Até aproximadamente aos 3 anos, a higiene ou lavagem dos dentes deve ser feita pelos cuidadores. Os pais devem fazer desta prática uma brincadeira e até muitas vezes uma forma de massajar a boca da criança, na tentativa de diminuir o mal-estar perante o rebentar de novos dentes.
A partir dos 3 anos, os pais ou cuidadores devem tentar incutir a autonomia da criança. A criança imita hábitos, daí ser tão importante, os pais e filhos lavem os dentes ao mesmo tempo. Os pais devem verbalizar os dentes que estão a lavar e o local - “vamos lavar a frente dos dentinhos….primeiro os de cima… e agora os de baixo… e a parte de dentro dos dentes que também deve ser lavada)”, para orientarem a criança e assim perceberem o tempo necessário de lavagem de cada local.
É também nesta fase que a criança começa a querer experimentar comer rebuçados e chupa-chupas. É muito cruel da minha parte dizer que proíbam os seus filhos de comer um rebuçado, mas se o comerem reforcem sempre a importância da lavagem dos dentes, pelo risco de depósito do açúcar. O mesmo acontece quando bebe refrigerantes…
Por volta dos 6 anos começam a crescer os molares, devido à sua morfologia e à sua localização na boca, a lavagem não é tão simples e consequentemente as cáries destes dentes, são muito frequentes, daí a importância de deverem uma maior atenção a estas situações.
Uma fase mais difícil de lidar com a higiene oral é na adolescência. É importante que os pais façam sentir aos filhos que o seu mau hálito pode afastar os colegas. Nesta fase do desenvolvimento, as questões de saúde na mente do adolescente, não são fundamentais. A visão do grupo é que é importante ressaltar, daí darmos-lhes a opinião que os outros colegas podem ter deles… As conquistas são também uma realidade e faze-los reflectir sobre esse prisma, pode ter uma força importante. Algo do género: “Já viste que agradável vai ser quando falares, sentirem esse cheirinho agradável de dentes lavados!!!”
Ir de encontro aos seus interesses é também uma alternativa muito eficaz, o uso de chicletes sem açúcar como forma de fazer higiene oral pode ser uma opção, não como uma rotina, mas sempre que não seja possível faze-lo com a escova e o dentífrico.
Uma vez que as cáries podem causar problemas graves de saúde, nomeadamente cardíacos, meningites, hemorragia gengival, entre outros, a sua detecção numa fase precoce ou em inicio é fundamental. Os pais têm um papel fundamental na vigilância da boca dos miúdos, para o encaminhamento da saúde sempre que surja uma cárie. Desde cedo, a selagem pode ser boa forma de prevenção da cárie.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Higiene Oral (1ª parte)

O que é uma boa higiene oral?
É uma limpeza que permite retirar todos os restos de alimentos, bem como restos de medicação. Ao mesmo tempo impossibilita que as bactérias se depositem nos dentes, gengivas e língua de forma a destruir a dentição.
O que é a placa bacteriana?
A placa bacteriana é uma placa transparente que se aloja por cima dos dentes e das gengivas, constituída por bactérias e os seus constituintes. Quando a remoção desta placa não se fez, o que acontece é que vai formando uma consistência endurecida e mais aderente aos dentes, denominando-se o famoso tártaro. Enquanto têm a tal película transparente, pode ser removida pela própria pessoa com uma escova de dentes, dentífrico, fio dentário e escovilhão, quando assume características de tártaro, já só pode ser removida por profissionais de saúde oral.
Estas bactérias multiplicam-se constantemente na boca, utilizando para se alimentar os nutrientes dos alimentos que ingere e a saliva. As bactérias, quando se alimentam de hidratos de carbono (especialmente os açucares), produzem ácidos que vão corroer os tecidos duros dos dentes (o esmalte). Com o frequente ataque dos ácidos, o esmalte danifica-se e as cáries aparecem.
Para uma correcta técnica de escovagem devem ser executados movimentos de rotação sobre cada face do dente, seguindo de uma ponta da boca até à outra extremidade. A escova deve também fazer a limpeza do espaço entre os dentes e as gengivas e a língua não deve ser esquecida neste processo.
Uma questão que muitas vezes é colocada refere-se á quantidade de dentrífico aconselhável. A orientação que deve ser dada, é que a quantidade necessária é a do tamanho da unha do dedo mindinho.
Nos infantários, muitas vezes, a não colocação desta prática é justificada pelo facto de as crianças confundirem os copos e as escovas. Uma das medidas a ser implantada, pode ser por exemplo, criar um símbolo da criança e colocar esse símbolo no copo.
 Lembro-me que quando a minha filha andava no infantário, cada menino tinha como representação um animal, a minha filha era a joaninha. Colocar esse símbolo no copo e na pega da escova era uma forma de ela identificar o seu kit de higiene oral. Uma outra noção que muitas vezes as pessoas têm, que é um mito, a maioria das vezes, é o facto de a escola não ter condições para o fazer. Se a criança tiver um estojo com a escova e uma garrafa de água pode por esse hábito em prática, sem se preocupar que todo o dentífrico seja removido, pois o facto ficarem restos de dentífrico na boca vai permitir a absorção do flúor por parte dos dentes, e não tem qualquer tipo de inconveniente.
Uma vez que tanto o nascimento dos dentes, como as cáries, causam algum mau estar, os pais podem e devem suavizar todas estas ocorrências de uma forma um pouco cor de rosa, o hábito de se manter perante a queda de um dente da criança é a historiada da fada, em que a criança coloca o seu dente debaixo da almofada e no dia seguinte a “fada” deixou lá ficar uma lembrança. Essa lembrança não é necessário ser um grande presente, pode ser um lápis engraçado, um caderno diferente, uns lápis de cor, um pequeno livro de histórias, qualquer coisa simbólica. O engraçado desta situação é manter na mente da criança a magia e a oportunidade de continuar a brincar com os pais…!
Uma outra forma de brincar com esta situação e de manter uma cultura familiar à volta dos dentes, é o hábito de fotografarem os seus filhos sempre que lhes cai um dente e colocarem no seu álbum, como um destaque! Não é obrigatório ter uma máquina fotográfica, os telemóveis actualmente têm essa funcionalidade.
Troca de escova
A escova de dentes deve ser trocada aproximadamente de 3 em 3 meses, para que não fique extremamente danificada. Preferencialmente deve ser macia, de cabeça pequena, para agilizar melhor dentro da boca.
A escova de dentes só limpa 3/5 do dente, o fio dentário e o escovilhão são ferramentas também fundamentais para que a higiene oral seja eficiente.
Uma dúvida que muitas vezes é frequente, é se as crianças devem ou não fazer a ingestão de flúor como suplemento: a partir do momento em que a criança bebe água da rede pública, que é portadora de flúor, que usa um dentífrico que contenha fluoretos, entre 1000 a 1500 ppm e que faça uma alimentação variada, rica em leite e derivados, não necessita de fazer suplemento de flúor, até pelo risco de estar a fazer flúor em excesso, não havendo qualquer vantagem com isso bem pelo contrário.