Áreas de intervenção: Pediátrica - Cuidados Gerais

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Mochilas escolares

O uso das mochilas pesadas, por si só não desenvolve desvios da coluna, como se possa imaginar. O que o peso pode acarretar são transtornos e dor, queixas provocadas pelo esforço físico exagerado.
Segundo orientações da OMS, o peso aconselhável para a mochila escolar, deve ser até 10% do peso da criança ou adolescente.
Várias são as preocupações dos pais a este respeito e a este tema e uma das situações que têm que analisar é a quantidade de livros e cadernos que a criança transporta e a sua necessidade.
Outro aspecto é o tipo de percurso que a criança tem que fazer até à escola. Se este é rectilíneo, sem muitas escadas e com passeios, a mochila de rodinhas pode ser uma óptima opção. Se o percurso é irregular, com muitas escadas, sem passeios e se eventualmente ainda tem que utilizar transportes públicos, a mochila de colocar nas costas talvez seja a melhor opção.
Quando os pais e a criança fazem a selecção da compra, vários aspectos devem ter em atenção. Um deles é o peso, quantos mais adereços tiver, mais pesada será a mochila. Por outro lado, a mochila deve ser proporcional às costas da criança. A borda superior da mochila deve estar ao nível do ombro e a borda inferior deve ficar apoiada na região lombar e nunca descer abaixo desta zona do corpo. As duas alças da mochila devem ser largas e acolchoadas, para distribuir e uniformizar a pressão do peso nos ombros. Algumas mochilas têm uns cintos no seu interior para permitir prender os livros e os cadernos, de forma a que quando estes se movimentam não provoquem um desequilíbrio na criança.
Se a opção for uma mochila de rodinhas, devem ter atenção à dimensão da pega, de acordo com o tamanho da criança. A criança quando transporta a mochila deve fazê-lo com o braço esticado.
É importante que seja transportado apenas o material necessário àquele dia. Os pais podem colaborar no hábito da criança, supervisionar o horário e colocar o material de acordo só com as necessidades daquele dia. Também na compra dos cadernos podem optar por cadernos pequenos, em vez de cadernos grandes, para diminuir também o peso. Os avós podem aqui ter um papel muito importante, sempre que a disponibilidade o permitir, na avaliação do peso da mochila dos seus netos.
A arrumação do material dentro da mochila deve obedecer também a regras: os livros e os cadernos mais pesados devem ficar o mais próximo possível das costas e o material mais leve, mais distante das mesmas e sempre que a mochila o permitir, prender esse material com o cinto que tem no interior das mochilas.
Ao ser colocada a mochila nas costas, as alças devem ser ajustadas de forma a que não exista folga entre as alças e as costas da criança. Por outro lado, é importante que fique alinhada à coluna para evitar uma postura errada da mesma. Quando a criança, pelo peso da mochila, é obrigada a dobrar-se para a frente ou para trás, durante um longo período de tempo, vai estar a adoptar uma postura incorrecta – é necessário analisar o que se passa.
Ambas as alças devem estar colocadas e não ser transportada apenas por uma delas, mais uma vez evitando assim uma postura incorrecta e uma sobrecarga de peso só de um lado do corpo.
Se a mochila for de rodinhas, a criança deve ser sensibilizada para a puxar ora de um lado do corpo ora do outro, para não viciar uma postura só de um lado.
Também me parece que se enquadra aqui, ser o professor de Educação Física a advertir para as vantagens de uma boa postura e os cuidados a ter com a mochila.
E porque falamos em professor, um papel fundamental pode ter a escola, no sentido de disponibilizar aos alunos armários que lhes permitam guardar algum material que não seja necessário transportar diariamente. Existem escolas em que o aluno aluga no inicio do ano um cacifo e paga um montante simbólico, para que no final do ano faça a entrega da chave e lhe seja devolvido esse montante.
Um desafio interessante ainda lançado às escolas e mais especificamente aos professores, é o aproveitamento das novas tecnologias informáticas, fornecendo DVDs ou CDs para os alunos estudarem em casa, caso tenham computador ou o uso de uma pen, que lhes facilita o transporte da informação.
Aproveito para contar um caso que me parece interessante: uma professora de Inglês, que gravava as aulas em Ipod permitindo aos alunos estudarem de uma forma que vai ao encontro dos seus gostos e fazê-lo sem a formalidade de uma actividade de estudo.

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